sábado, 27 de fevereiro de 2010

Império Bizantino










Entendida como um dos sinais de crise do Antigo Império Romano, a criação do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, em 330, não só foi resultado do desgaste das estruturas sócio-políticas do Império Romano, mas também assinalou as diferenças entre suas partes Ocidental e Oriental.

O Império Bizantino foi historicamente influenciado pelos valores da cultura helenística, criada pelo imperador Alexandre, O Grande. Além disso, essa maior influência das tradições gregas e orientais também pode ser compreendida enquanto um desdobramento da tradição comercial da própria economia bizantina. Com sua capital em Constantinopla (atual Istambul), o Império Bizantino conseguiu se firmar durante toda a Idade Média,mas foi tomado, em 1453, pelos turco-otomanos.

O sistema político bizantino era monárquico. O rei, além de responder as questões de cunho político, também tratava dos assuntos religiosos e militares. Mesmo concentrando muito poder em mãos, os reis ainda contavam com o auxílio de um amplo corpo de funcionários responsáveis pelos aspectos burocráticos do poder imperial. O mais notável imperador do Império Bizantino foi Justiniano, que entre os anos de 527 e 565 realizou conquistas territoriais e reformou alguns pontos da estrutura jurídica de seu governo.

No governo de Justiniano, o Império ampliou as suas fronteiras chegando a tomar controle sob a cidade de Roma. Visando reavivar os domínios do Antigo Império Romano, Justiniano ainda conquistou o Norte da África (533), o sul da Itália (536 – 539) e a Espanha (554). A nostalgia de Justiniano em relação ao Antigo Império Romano também se manifestou quando ele criou o Código Justiniano, um conjunto de leis inspirado no Direito Civil Romano. Além disso, Justiniano foi responsável pela construção da Catedral de Santa Sofia, um dos maiores centros de adoração cristã do império.

No aspecto religioso, podemos dar destaque sobre as feições que o cristianismo tomou em solo bizantino. Até o processo de centralização do poder papal, em 455, o rei do império também era considerado chefe supremo da Igreja. Essa submissão ao poder do Papa de Roma nunca foi aceita pelos clérigos bizantinos. Além disso, os cristãos bizantinos ainda divergiam em alguns pontos da doutrina romana. Entre outras heresias, a Igreja Bizantina rejeitava a adoração a imagens, liderando o chamado movimento iconoclasta. Esse movimento incentivava a destruição das imagens de santos e do Cristo. As tensões político-ideológicas entre Roma e Constantinopla acabariam por deflagrar o Cisma do Oriente (1054). O Cisma foi responsável por dividir a Igreja: de um lado a Igreja Católica, sediada em Roma; de outro a Igreja Ortodoxa, sediada em Constantinopla.

Entre os séculos VI e VIII os domínios do império foram tomados por constantes invasões promovidas tanto pelo lado ocidental quanto pelo oriental do território. Até o fim da Idade Média, durante os séculos X ao XV, outras pressões territoriais, incluindo o movimento das Cruzadas, e o renascimento comercial da Europa Ocidental foram responsáveis pelo enfraquecimento do Império Bizantino. Durante a expansão turco-otamana sob o território dos Bálcãs e da Ásia Menor, o império se viu reduzido à própria cidade de Constantinopla. Em 1453, os trucos conseguiram invadir a cidade, mudando o seu nome para Istambul.


Fonte: www.alunosonline.com.br/

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

São Vicente, antes de Martim Afonso

Descoberta arqueológica confirma a existência de povoado construído por portugueses antes do início oficial da colonização do Brasil






















Arqueólogo trabalha no que restou da residência mais antiga do Brasil: uma parede confirma a existência de um povoado, de 10 a 12 casas, descrito em documento de 1526






por Graziella Beting




Arqueólogos brasileiros identificaram aquela que pode ser a casa mais antiga do país. A construção situada em São Vicente, na Baixada Santista, teria sido erguida entre 1516 e 1520, antes mesmo da chegada de Martim Afonso de Sousa, fundador da vila, em 1532.

As escavações foram realizadas nos fundos da Casa Martim Afonso, edificação tombada no início do ano passado. Ao explorar a área, arqueólogos descobriram uma parede, datada do século XVI, que confirma a existência de um povoado de 10 a 12 casas no local, descrito em um documento de 1526.

Supõe-se que essa seja uma parte da Casa do Bacharel, residência do degredado Cosme Fernandes, que teria chegado em São Vicente antes de Martim Afonso. O “Bacharel”, como era conhecido, é citado em documento de 24 de abril de 1499 que relata uma viagem não oficial do explorador português Bartolomeu Dias ao Brasil. O degredado teria usado o povoado como entreposto para navegadores, para quem também oferecia seus préstimos de intérprete de línguas indígenas.


Fonte: www.historiaviva.com.br/

O teatro onde tudo começou

Espaço na Acrópole de Atenas onde foram encenadas as primeiras tragédias gregas, há mais de 2.500 anos, será restaurado














Teatro de Dioniso, em Atenas, que será restaurado e será aberto ao público em 2015





por Graziella Beting






O berço da dramaturgia clássica será restaurado na Grécia. As ruínas do Teatro de Dioniso, na Acrópole de Atenas, onde há mais de 2.500 anos foram apresentadas as primeiras tragédias de Eurípedes, Ésquilo e Sófocles, receberão investimentos para recuperar parcialmente suas instalações.

A obra de renovação, orçada em 6 milhões de euros (cerca de R$ 15 milhões), deve durar seis anos. Segundo as autoridades gregas, o teatro estará pronto em 2015, com parte dos assentos reconstruída a partir de uma combinação da pedra original com materiais modernos. Não há, porém, intenção de encenar espetáculos no local – os últimos foram apresentados na década de 1970.

Utilizado pela primeira vez no século VI a.C., o teatro consistia em um terraço de onde os espectadores avistavam um palco circular. Aí era realizada uma competição de peças, durante o festival anual dedicado a Dioniso, deus do vinho. Em IV a.C., o espaço foi remodelado e ampliado para receber até 15 mil pessoas.










Fonte: www.historiaviva.com.br

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Rainha












Ficha técnica:título original:The Queen
gênero:Drama
duração:01 hs 37 min
ano de lançamento:2006
site oficial:http://www.thequeen-movie.com/
estúdio:Canal+ / France 3 Cinéma / BIM Distribuzione / Granada Film Productions / Pathé Pictures International / Scott Rudin Productions
distribuidora:Miramax Films / Europa Filmes
direção: Stephen Frears
roteiro:Peter Morgan
produção:Andy Harries, Christine Langan e Tracey Seaward
música:Alexandre Desplat
fotografia:Affonso Beato
direção de arte:
figurino:Consolata Boyle
edição:Lucia Zucchetti


Sinopse:A notícia da morte da princesa Diana se espalha rapidamente pelo mundo. Incapaz de compreender a reação emocional do público britânico, a rainha Elizabeth II (Helen Mirren) se fecha com a família real no palácio Balmoral. Tony Blair (Michael Sheen), o recém-apontado primeiro-ministro britânico, percebe que os líderes do país precisam tomar medidas que os reaproximem da população e é com essa missão que ele procura rainha.elenco:Helen Mirren (Rainha Elizabeth II)


Michael Sheen (Tony Blair)
James Cromwell
(Príncipe Philip)
Sylvia Syms (Rainha-mãe)
Paul Barrett (Trevor Rees-Jones)
Helen McCrory (Cherie Blair)
Forbes KB

Nota: O diferencial do filme são dos docs, vale a pena assisitir!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Eusébio de Cesaréia






















por Justo Gonzales



Se olho para o oriente, se olho para o ocidente, se olho por toda, a terra, e até se olho para o céu, sempre e em qualquer lugar eu vejo o Bem-aventurado Constantino dirigindo o mesmo império.

Eusébio de Cesaréia

***



Provavelmente não havia em toda a igreja durante a primeira década do século IV, um cristão mais erudito que Eusébio de Cesaréia. Frases como a que citamos no começo deste capítulo, no entanto, têm levado muitos historiadores a afirmar que Eusébio capitulou diante do poder imperial. Na opinião destes historiadores, Eusébio era um homem de caráter débil que, ao se ver rodeado da pompa do Império, se dobrou diante dela, e se pés a servir aos interesses do imperador mais que aos de Jesus Cristo. Mas antes de arriscar fazer este julgamento convém que nos detenhamos para narrar rapidamente a vida e a obra deste sábio cristão, para desta forma compreender melhor suas reações e atitudes.

Eusébio nasceu por volta do ano 260, provavelmente na Palestina, onde ele passou a maior parte dos seus primeiros anos. Ele é conhecido como Eusébio “de Cesaréia” porque foi bispo desta cidade e porque foi educado nela, mas o lugar exato do seu nascimento nos é desconhecido.

Também não temos informações confiáveis sobre sua família. Nem sequer é possível dizer se seus pais eram cristãos ou não - e os eruditos que têm tentado pesquisar sobre este assunto encontraram argumentos nos dois sentidos.

Seja como for, quem teve o impacto profundo sobre a vida do jovem Eusébio foi Panfílio. Este era da cidade de Berito - hoje Beirute, no Líbano - mas tinha estudado em Alexandria, tendo por professor o célebre Piério, um dos continuadores; da obra de Orígenes. Algum tempo depois, tendo já ocupado alguns cargos importantes em Berito, Panfílio se transferiu para Cesaréia, para onde parece ter sido chamado pelo bispo desta cidade. Em Cesaréia, Orígenes tinha deixado sua biblioteca, que estava em poder da igreja, e Panfílio se dedicou a estudá-la, organizá-la e completá-la. Diversas pessoas o ajudaram nesta tarefa, inspiradas pela fé fervorosa e pela curiosidade intelectual do seu líder. Quando Eusébio conheceu Panfílio, sentiu-se cativado por esta fé e esta curiosidade. E sua devoção chegou a um ponto tal que ele chegou a se chamar anos mais tarde de "Eusébio de Panfílio", dando assim a entender que devia a seu mestre grande parte do que era.

Durante vários anos Panfílio, Eusébio e outros; trabalharam em equipe, provavelmente vivendo sob o mesmo teto e repartindo todos os seus gastos e receitas. Mais tarde o prazer de Panfílio nos livros foi superado pelo do seu discípulo, que, ao que parece, fez várias viagens em busca de documentos das origens do cristianismo. Durante este período Eusébio e Panfílio escreveram diversas obras, mas destas a única importante que foi conservada é a Crônica de Eusébio - e também esta em versões posteriores, aparentemente mal transmitidas.

Aquela época calma não poderia durar muito tempo. As perseguições ainda não tinham terminado, e a ameaça que sempre nublara o horizonte dos cristãos transformou-se no furacão da grande perseguição. Em junho de 303, a perseguição chegou à Cesaréia, e o primeiro mártir ofereceu sua vida. A partir de então, a tormenta foi amainando, até que em 305, Maximino Daza assumiu a dignidade imperial. Como já dissemos no volume anterior, Maximino Daza foi um dos mais tenazes inimigos do cristianismo. Em fins de 307, Panfílio foi encarcerado. Depois disto a tempestade diminuiu um pouco, e o célebre mestre cristão permaneceu no cárcere, sem ser executado, por mais de dois anos. Durante este período Panfílio e Eusébio escreveram juntos cinco livros de uma Apologia de Orígenes, a qual Eusébio acrescentou um sexto livro depois do martírio do seu mestre.

É impossível saber como Eusébio escapou da perseguição. Aparentemente ele se ausentou de Cesaréia pelo menos duas vezes, e é possível que o motivo da sua ausência tenha sido - pelo menos em parte - fugir das autoridades. Nesta época isto não era considerado indigno, pois o cristão tinha o dever de evitar o martírio, até que estivesse suficientemente provado que Deus o tinha escolhido para esta coroa gloriosa. De qualquer forma Eusébio não sofreu pessoalmente durante a perseguição, apesar de sofrer a perda de seu admirado mestre e de muitos dos seus companheiros mais chegados.

Em meio à perseguição, Eusébio continuou sua atividade literária. Precisamente durante este período ele revisou e ampliou sua obra mais importante, a História eclesiástica.

Se Eusébio não tivesse feito outra coisa em sua vida que escrever a História eclesiástica, isso já seria suficiente para ele ser contado entre os "gigantes" da igreja no século IV. De fato, em sua obra boa parte da história que narramos no primeiro volume se teria perdido, pois foi ele quem compilou, organizou e publicou quase tudo que sabemos de muitos cristãos que viveram nos primeiros séculos da existência da igreja. Além disso, a única coisa conservada da obra de muitos daqueles primeiros escritores cristãos são as extensas citações que Eusébio incluiu em sua História. Sem ele, enfim, nossos conhecimentos dos primeiros séculos da igreja estariam reduzidos à metade.

Em 311 a situação finalmente começou a mudar, com respeito à perseguição. Primeiro veio o edito de Galério. Depois Constantino venceu Majêncio; e Licínio e Constantino, reunidos em Milão, decretaram a tolerância religiosa. Para Eusébio e seus companheiros o que estava acontecendo era obra de Deus, semelhante aos milagres narrados no livro do Êxodo. A partir de então Eusébio - e provavelmente muitíssimos; outros cristãos; que não deixaram testemunho escrito das suas opiniões, como ele - começou a ver em Constantino e em Licínio instrumentos escolhidos por Deus para concretizar seus planos. Pouco depois, quando Constantino e Licínio começaram a guerra entre si, Eusébio estava convicto que a principal razão do conflito era que Licínio tinha perdido o juízo e começara a perseguir os cristãos. Por isto Eusébio sempre viu em Constantino o instrumento escolhido por Deus.

Finalmente, por Volta do ano 315, quando Licínio e Constantino começaram a dar sinais de que não estavam dispostos a repartir o poder por muito tempo, Eusébio foi eleito bispo de Cesaréia. Isto era uma responsabilidade muito grande, pois a perseguição tinha dispersado o seu rebanho, e era necessário assumir uma enorme tarefa de reconstrução. Além disso, a sede da Cesaréia tinha jurisdição sobre toda a Palestina, e por isso Eusébio tinha de se ocupar de assuntos que excediam em muito os limites da sua cidade. Em conseqüência sua produção literária diminuiu nos anos seguintes.

Eusébio não estava ainda muitos anos instalado em seu cargo de bispo quando uma nova tempestade veio turvar a calma da igreja. Tratava-se desta vez não de uma perseguição por parte do governo, mas de um gravíssimo problema teológico que produziu o cisma: a controvérsia ariana. Mais adiante dedicaremos um capítulo inteiro aos primeiros episódios desta controvérsia, e por isso não a discutiremos aqui. Basta dizer que a atuação de Eusébio nesta controvérsia deixou muito a desejar. Isto não se deu por Eusébio ter sido talvez hipócrita ou oportunista, como alguns historiadores têm afirmado, mas mais por seus interesses terem sido outros. Parece que Eusébio não compreendeu completamente todo o alcance da controvérsia, e a sua preocupação fundamental era a paz da igreja, mais que a exatidão teológica. Por isso, apesar de no começo ter simpatizado com a causa ariana, no concílio de Nicéia, ele se dispôs a condená-la, quando se deu conta dos perigos doutrinários que ela envolvia. Mas isso faz parte de outro capítulo.

Eusébio já travara conhecimento com Constantino antes deste ser imperador, quando visitou a Palestina no séqüito de Diocleciano. Em Nicéia, por ocasião do concílio, ele pôde vê-lo agindo em favor da unidade e do bem-estar da igreja, como "bispo dos bispos". Depois, em outras oportunidades, Eusébio teve entrevistas e correspondência com o imperador, Provavelmente o encontro mais notável teve lugar quando Constantino e sua corte se transferiram para Jerusalém, para dedicar a recém-construída igreja do Santo Sepulcro, como parte da celebração do trigésimo aniversário da ascensão de Constantino ao poder. A controvérsia ariana ainda fervia, e os bispos reunidos primeiro em Tiro e depois em Jerusalém estavam profundamente interessados nela, como o imperador também estava. Seja como for, Eusébio desempenhou um papel importante, e, por motivo da visita do imperador e da dedicação do novo templo, ele pronunciou um discurso em elogio a Constantino. Este discurso, que se conserva até os nossos dias, é uma das principais razões de Eusébio ter fama de adulador. Devemos, no entanto, julgar o discurso à luz dos costumes da época, em circunstâncias como essa. Deste ponto de vista o discurso resulta ser relativamente moderado.

Eusébio, de qualquer forma, não foi amigo íntimo nem cortesão de Constantino. Ele passou a maior parte da sua Vida em Cesaréia ou nas proximidades, ocupado com assuntos eclesiásticos, enquanto Constantino, quando não estava em Constantinopla, se encontrava em alguma campanha ou empreendimento que o fazia transferir sua corte por todo o lmpério. De forma que os contatos entre o imperador e o bispo foram' breves e esporádicos. Eusébio era respeitado por muitos dos seus colegas, e Cesaréia era uma cidade importante; por isso Constantino se empenhou em cultivar o apoio do prestigioso bispo desta cidade. Eusébio, da mesma forma, depois das experiências dos anos de perseguição, não podia fazer outra coisa que se alegrar com a nova situação, e agradecer ao imperador pela mudança que este causara.

Por outro lado, não devemos esquecer que foi depois da morte de Constantino, em 337, que Eusébio escreveu suas linhas mais elogiosas sobre o imperador falecido. Não se trata aqui, portanto, de um bajulador, mas de um homem agradecido. Esses fatos, entretanto, deixaram sua marca em toda a obra de Eusébio, particularmente em sua História eclesiástica.

O propósito de Eusébio, ao escrevê-la, fora simplesmente narrar os acontecimentos da Vida da igreja. Seu propósito era mais apologético. Ele queria mostrar que a fé cristã era a consumação de toda a história humana. Esta idéia tinha aparecido muitos anos antes nos escritores que no século segundo defenderam a fé contra os ataques; dos pagãos. Na opinião destes autores tanto a filosofia como as Escrituras hebraicas tinham sido providas por Deus como preparo para o evangelho. Surgiu também em pouco tempo a idéia de que o próprio imperador romano, com a paz relativa que ele tinha concretizado nas margens do Mediterrâneo, também tinha sido colocado por Deus para facilitar a disseminação da nova fé. Por outro lado desde tempos muito remotos, cristãos como Irineu tinham dito que toda a história da humanidade era um longo processo pelo qual Deus estava preparando ou educando a humanidade para que pudesse ter comunhão com ele. Eusébio agora dá corpo a este conjunto de idéias, tentando fundamentá-lo sobre os fatos; comprováveis da história da igreja e do - Império. A história que ele escreve, então, não é uma simples compilação de dados, com o interesse de um antiquário, mas é mais uma prova da verdade da fé cristã, que é a consumação de toda a história humana.

Para sustentar esta tese, a conversão de Constantino era um elemento fundamental. Na opinião de Eusébio as perseguições eram causadas principalmente pelo fato de as autoridades do Império não terem percebido que o cristianismo representava a coroação das melhores tradições romanas. A fé e o Império, assim como a fé e a filosofia, não eram incompatíveis. Pelo contrário, a fé era a coroa tanto da filosofia, como do Império. Por isso a importância que Eusébio dava à nova política religiosa de Constantino não se limitava simplesmente As vantagens de que a igreja estava desfrutando com essa política, mas ia muito além. A nova situação era prova contundente da verdade do evangelho, ponto culminante da história humana.

Naturalmente essa perspectiva teológica proibia qualquer atitude crítica frente ao que estava acontecendo. Quanto a Constantino, a quem Deus tinha utilizado para levar a cabo os seus planos, Eusébio parece ter percebido os seus principais defeitos, particularmente sua ira incontrolável e seu espírito sanguinário. Mas os propósitos apologéticos da sua obra não permitem que Eusébio mencione estas coisas, e ele simplesmente as omite.

O mais grave de tudo isto, entretanto, não está no que Eusébio disse ou deixou de dizer sobre Constantino. O mais grave está em que em toda a obra de Eusébio nós podemos ver como boa parte da teologia cristã, mesmo sem o perceber, foi se ajustando As novas condições, em muitos; casos abandonando ou transformando alguns dos seus temas tradicionais. Vejamos alguns exemplos:

No Novo Testamento, e na igreja dos primeiros séculos, aparece com freqüência o tema de que o evangelho é em primeiro lugar para os pobres, e que os ricos têm mais dificuldades para entendê-lo e seguí-lo. De fato, a questão de como uma pessoa rica pode ser salva preocupou os cristãos dos primeiros séculos. Agora, a partir de Constantino, a riqueza e a pompa começaram a ser considerados um sinal do favor divino. Como veremos no próximo capítulo, o movimento monástico foi em certo sentido um protesto contra esta interpretação acomodatícia. Eusébio, porém - e as muitas outras pessoas que, ele representa - não parecem ter percebido a mudança radical que estava ocorrendo quando a igreja perseguida passou a ser a igreja dos poderosos, nem dos perigos em que isto implicava,

Da mesma forma Eusébio descreve com grande contentamento e orgulho os luxuosos templos que estavam sendo construídos. Mas o resultado real dessas construções e da liturgia que evoluiu nelas foi o surgimento de uma aristocracia clerical, semelhante e paralela à aristocracia imperial, e freqüentemente tão distante do crente comum como os cidadãos comuns dos poderosos do Império. A igreja começou a imitar os costumes do Império não sé em sua liturgia, mas também em sua estruturação social.

Por último, o esquema que Eusébio concebeu em termos de história o obrigou a abandonar um dos temas fundamentais da pregação cristã primitiva: a vinda do Reino. Eusébio não o diz explicitamente, mas ao lermos as suas obras temos a impressão de que com Constantino e seus sucessores o plano de Deus se cumpriu. Fora isto, a única coisa por que ainda precisamos esperar é o momento de sermos transferidos em espírito para o reino celestial. A partir da época de Constantino, em parte por causa da obra de Eusébio e de outros com ele, começou a dominar a tendência de negligenciar ou esquecer a esperança da igreja primitiva, de que seu Senhor retornaria nas nuvens para estabelecer um Reino de paz e justiça. Em épocas posteriores a maioria dos grupos que voltaram a enfatizar esta esperança foram considerados hereges e revolucionários, e condenados como tais.

O fato de Eusébio nos ter dado ocasião para expor estas mudanças na vida e na doutrina cristã não deve ser interpretado como se ele fosse o único responsável por estas mudanças. Pelo contrário, a impressão que temos ao lermos os documentos da época de Eusébio é que ele representa mais que qualquer contemporâneo seu o que o cristão comum pensava, para quem a ascensão de Constantino e a paz que ele trouxe representava o cumprimento dos planos de Deus. Estes outros cristãos talvez não souberam expressar seus sentimentos com a elegância e a erudição de Eusébio. Mas foram eles quem pouco a pouco foram dando forma A igreja nos anos posteriores a Constantino. Eusébio, então, não é o criador do que aqui temos chamado de "teologia oficial", mas somente o porta-voz dos muitos cristãos que como ele se sentiam surpresos e agradecidos por terem saído das tribulações da perseguição.

Entretanto, como veremos nos capítulos seguintes, nem todos os cristãos acolhiam as novas circunstâncias com o mesmo entusiasmo.





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Este artigo é parte integrante do portal http://www.monergismo.com/.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Panteão II















































































O Panteão, um vasto templo redondo, é um edifício cujo interior é o mais bem conservado e o mais imponente de todas as construções romanas subsistentes. Fizeram-se templos redondos muito antes desta época, mas a sua configuração, bem representada pelo Templo da Sibila é tão diferente que o Panteão não pode ter derivado deles. A razão pela qual o Panteão se tem conservado em tão bom estado deve-se ao facto de o Imperador Romano Phocas ter entregue o edifício aos Papas, em 609 d.C., para ali celebrarem os rituais cristãos.



Esta construção que, actualmente, se encontra na praça Panteão numa posição central entre a Via “del Corso” e a Praça Navona, foi mandada erguer entre 118 e 125, pelo imperador Adriano que, segundo alguns autores, terá participado activamente na sua concepção. Este edifício substitui uma construção menor, dedicada a Júpiter, arquitectada por Marcus Agrippa em 27 a. C. que sofrera um devastador incêndio.

Exteriormente, a cella é um tambor cilíndrico sem decoração, fechado por uma cúpula suavemente encurvada de 43,5 metros de diâmetro. O arquitecto parece que teve pouca atenção à sua aparência exterior, pois a sensação que temos de fora é completamente diferente da sensação que temos a partir do seu interior.



À entrada possui um pórtico profundo do tipo corrente nos templos romanos de planta regular. Originalmente este pronaos apresentava um envasamento alto ao qual se subia por largos degraus, mas com a subida do nível das ruas vizinhas este elemento arquitectónico ficou soterrado. Além disso, este pórtico, com 3 naves e de 24 colunas ao todo (3x8), fora delineado como parte de um átrio rectangular que devia ter o efeito de destacá-lo da rotunda. No entablamento desta fachada, coroada por um amplo frontão, Adriano mandou colocar uma inscrição de Agripa, aproveitada dos restos do edifício anterior.



As dimensões do Panteão, uma novidade para a época (43,5 m de altura) fazem com que este monumento tenha o espaço mais amplo, com a maior cúpula da História até o séc. XIX. Esta contém uma abertura circular (oculus zenital), ao centro, com 9 metros de diâmetro, que dá passagem a um jorro de luz tão abundante como magnifico, produz também uma sensação de leveza dentro do edifício. Este óculo encontra-se a mais de 40 metros acima do pavimento, e como o diâmetro do recinto tem a mesma dimensão, a cúpula e o tambor, sendo de igual altura, encontram-se em perfeito equilíbrio. No exterior, esse equilíbrio não foi possível, porque para se conter o empuxo da cúpula era necessário fazer uma base consideravelmente mais pesada que o cimo, para isso concentrou-se o peso da cúpula em oito grossos pilares e espessas paredes (7 metros, que foram construídas com materiais leves (cimento romano e tijolo) e que vão adelgaçando até chegarem ao topo.)

Acreditava-se que por a cúpula ser tão alta a chuva evaporar-se-ia antes de chegar ao chão. Tal não é verdade, pois quando chove o chão de mármore fica molhado. Mas um eficaz sistema de drenagem aliado ao facto de o chão ser convexo impede o Panteão de ficar inundado.



Outra novidade são os nichos que fechados ao fundo, mas com colunas à frente, dão o efeito de aberturas para outras salas, evitando que nos sintamos presos no interior do Panteão. As colunas, as paredes de mármore colorido e o pavimento permanecem, na sua essência, tal como eram nos tempos romanos. Os caixotões da cúpula são igualmente os da origem, mas o dourado que os cobria foi desaparecendo ao longo dos tempos.



Como o nome o sugere, o Panteão de Roma fora dedicado a "todos os deuses", ou, mais exactamente, às sete divindades planetárias que justificam os nichos com altares existentes no interior da cella.



Com este edifício, Adriano tornou a sua quimera em algo concreto, construiu um edificio onde cabia todo o mundo. E, na verdade, o seu traçado geométrico está dotado de propriedades numéricas e simbólicas que o remetem para a abóbada e o movimento celeste.



Este edifício clássico tem, no entanto, uma modesta ascendência. O arquitecto romano Vitruvius descreveu no seu "tratado", mais de um século antes, a estufa de um balneário que antevia já, mas a uma escala bastante menor, os traços mais importantes do Panteão: uma cúpula hemisférica, uma relação proporcional entre a altura e a largura, a abertura circular ao centro (que podia fechar-se com um postigo de bronze, para regular a temperatura da sala).


Bibliografia

Livros :

•História da Arte - H. W. Janson - Fundação Calouste Gulbenkian - 7ª edição
•História da Cultura e das Artes - Paulo Simões Nunes - Lisboa Editora - Ensino Secundário 11.º ano

O Panteão

Templo romano dedicado ao culto pagão sobreviveu graças ao cristianismo















por Maria Dolores Duarte

Depois de 500 anos de existência, expansão territorial galopante e progresso nas mais diversas áreas, o Império Romano deixou apenas um monumento em perfeito estado de conservação. É o Panteão de Agripa, um templo dedicado a todos os deuses romanos.

O nome do edifício é uma homenagem ao cônsul Marco Vispânio Agripa (63-12 a.C.), que mandou realizar a obra em 27 a.C. No ano 80, a construção foi praticamente destruída por um incêndio. Quatro décadas depois, o imperador Adriano (76-138) mandou reerguê-la. "Há indícios de que o próprio Adriano foi o arquiteto. Ele queria abrigar os deuses romanos e os dos povos conquistados", afirma o historiador Manuel Rolph, da Universidade Federal Fluminense.

Ironicamente, foi graças à Igreja Católica que a edificação pagã sobreviveu ao tempo e ao vandalismo. Em 608, após o fim do Império, o rei bizantino Flávio Focas entregou o Panteão ao papa Bonifácio IV (550-615), que o consagrou igreja cristã dedicada a Santa Maria e a Todos os Santos.

CHAMA ACESA
Na Roma antiga, um templo era, literalmente, a casa dos deuses. Cada um deles era zelado por uma sociedade sacerdotal, que prezava pela manutenção e pela segurança da estátua e se responsabilizava por manter tochas acesas em sua homenagem.

ADRIANO, JUIZ SAGRADO
A partir do primeiro século de nossa era, a noção de que o imperador era a própria divindade ganhou força. Adriano era associado a Hélios, o deus sol, e como tal podia usar o templo. Ele fez do Panteão um tribunal, onde realizou diversos julgamentos.

PARA POUCOS
O lugar era imponente, mas o acesso permanecia restrito às autoridades políticas e religiosas. Não eram realizados rituais públicos, e mesmo os senadores só entravam no local para acompanhar o imperador.

FACHADA GREGA
A obra segue a influência helenística, como se percebe na fachada com colunas gregas. Sobre elas, está a inscrição "M.AGRIPPA.L.F.COS.TERTIUM.FECIT", que significa: "Construído por Marco Agripa, filho de Lúcio, pela terceira vez cônsul".

ENTIDADES SOBREPOSTAS
Apesar de ser dedicado aos deuses em geral, o local não abrigava estátuas de todos. Por dois motivos: em primeiro lugar, o próprio formato circular do edifício já indicava seu caráter ecumênico. Além disso, cada deus representava outros. Vênus, por exemplo, correspondia à Afrodite grega e à Isis egípcia.

PONTO DE ENCONTRO
A construção homenageava todas as entidades antigas

No topo da cúpula, há uma abertura circular de 9 metros de diâmetro, que permite a entrada de luz natural e simboliza o deus sol. Como o círculo fica a 43 metros do chão, os romanos acreditavam que a chuva que entrasse por ali evaporaria antes de chegar ao solo. Eles estavam errados.

DEUSES MODERNOS
Hoje, o local abriga túmulos de personalidades

Em Roma, seria inconcebível enterrar mortos em templos. No século 16, quando o Panteão já pertencia à Igreja, começaram a ser colocados ali personagens célebres da Itália. Estão lá os restos mortais dos pintores Annibale Carracci (1560-1609) e Rafael Sanzio (1483-1520) e de vários reis italianos, como Vitor Emanuel II (1820-1878) e Humberto I (1844-1900).



Fontes: Aventuras na História

A rainha Hatshepsut

A RAINHA HATSHEPSUT (1503-1482 a.C.)




























O Egito faraônico produziu uma série de mulheres excepcionais, sendo a Rainha Hatshepsut, a mais famosa delas. Muitas mulheres de faraós tinham tido um lugar ao Sol ao lado de seus maridos e somente duas delas haviam governado por breve tempo, mas Hatsheputs foi a primeira que se arrogava a divindade e a realeza, usando Dupla Coroa, que indicava a soberania sobre as duas regiões do Alto e Baixo Egito.

Há estátuas que a mostram com atributos masculinos da realeza. Em algumas, chega a usar a tradicional barba postiça dos faraós. Este faraó feminino abandonou a guerra e fez o Egito voltar a atividades pacíficas, tais como a construção de grandes monumentos e manutenção das rotas de comércio com o exterior, que tinham sido fechadas durante o domínio dos hicsos.

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Hatshepsut, que governou o Egito 3.500 anos atrás




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O GOLPE DE ESTADO DE HATSHEPSUT

Hatshepsut era uma mulher de caráter extraordinário. Parece ter tido tanta força política quanto carisma, além de saber controlar habilmente o Clero de Amon, sendo assim, num dado momento, conseguiu usurpar o trono de Tutmés III e se tornar, com direito a todas as honras, o Faraó do Egito. Ao contrário do que viria a ocorrer no Período Ptolomaico; as mulheres não podiam ocupar o cargo de Faraó. Não eram nem sequer Rainhas, eram, no máximo, a esposa do Rei. Por isso, a ascensão ao trono de Hatshepsut foi um fenômeno tão importante dentro do contexto político nacional.

Ao que parece, Hatshepsut conseguiu convencer o Clero de Amon a ver nela a verdadeira encarnação de Amon-Ra e, sendo assim, a herdeira do trono. Ela tomou para si o cajado, o mangual, as coroas e até mesmo a barba Reais tornando-se o novo Faraó.

Esse "golpe de Estado", tinha em suas previsões o estabelecimento de um verdadeiro sistema sucessória de linhagem feminina, cuja implantação supunha um avanço a más de domínio da mulher nas estruturas políticas do Egito. Sendo assim, a primogênita de Hatshepsut, estava destinada a suceder sua mãe em exercício direto e pessoal da realeza.

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HATSHEPSTU E SEN-EN-MUT: UMA HISTÓRIA DE AMOR IMPOSSÍVEL

Só o nome de Sen-en-Mut evoca imediatamente a rainha a quem serviu.

Ambos permaneceram unidos em uma história de amor negada pelos homens e ressaltada, no entanto, pelas evidências que esse "Mordomo da Rainha" repartir por todo o Egito. Segundo todos os indícios, Sen-en-Mut e sua família procediam de "On do Sul", a atual Armant, localidade que fica atualmente a uns 20 Km de Tebas. Seu pai foi o "Venerável" Ra-Mose e sua mãe foi a "Senhora da Casa", Hat-Nefer. Sua carreira começou aparentemente, no exército e em seguida na organização administrativa do tesouro real, onde alcançou os mais altos postos. Foi o Mordomo e administrador da princesa Neferu-Ra. Entre os mais de 80 títulos que teve destacam-se os de "Mordomo Chefe" do rei, da rainha, de Neferu-Ra e do próprio deus Amon. Também foi "Chefe de todas as obras da rainha e de Amon".

Desde cedo, Sen-en-Mut se distinguiu, não só pela amplitude de seu "curriculum", mas sim pelas obras realizadas sob sua direção em favor da soberana. Com certeza foi o aquiteto que desenhou e executou o templo de "Milhões de Anos" de Hatshepsut no circo de Deir-El-Bhari entre os anos 7 e 15 do seu reinado. Os obeliscos erigidos no templo de Karnak e outra sobras realizadas dentro do mesmo templo, também se construíram sob sua direção.

A meteórica ascensão de Sen-en-Mut na corte coincidiu com a coroção da rainha como faraó do Egito. Esse feito, junto com o achado de um grafite inscrito no interior de uma gruta sobre o templo de Deir-El-Bahari que parece representar a rainha e seu arquiteto chefe em uma postura obscena, deram lugar a pensar que existiu entre ambos uma relação amorosa.

Porém, não são só essas, as provas dos possíveis amores entre a rainha e seu arquiteto chefe. Outro grafite localizado perto de Assuán, mostra Sen-en-Mut como "O Confidente da Esposa do deus" e "O que é agradável a Senhora das Duas Terras", "O Grande Mordomo da Esposa do deus" e "O regente da totalidade das Duas Terras". Só a contemplação de tais títulos permite compreender que a relação de confiança entre a rainha e o arquiteto foi bem mais importante do que simplesmente derivada das funções de governo. Além disso, a presença de Sen-en-Mut no mesmo templo de Seir El Bahari, é algo que não deixa lugar à dúvidas.

Uma das questões que mais deu o que pensar no verdadeiro papel desempenhado por Sen-en-Mut durante o reinado de Hatsheput, é a construção do que se interpreta como sua segunda tumba, na necrópolis tebana. Se trata, da catalogada como TT 353. Esse singular monumento, parece ter em sua concepção e desenho todas as características rituais do que poderíamos chamar de um recinto de culto para "ka" de Sen-en-Mut, em claro paralelismo com os templos de "Milhões de Anos" dos reis. Está escavado debaixo da terra até levar a coincidir com o pátio do templo de Deir el Bhari. Se sabe, entretanto, que a verdadeira tumba de Sen-en-Mut se encontra na ladeira de Gurnah, hoje catalogada como TT 71.

Da decoração e características arquitetônicas de ambos monumentos se desprende claramente que estavam ritualmente conectados entre si, como estavam as tumbas dos reis em relação aos seus templos de "Milhões de Anos". Nese caso, parece que Sen-en-Mut obteve da rainha o secreto privilégio de compartilhar com ela e seus antepassados os benefícios religiosos e de culto que se realizavam no interior do recinto do templo de Deir el Bahari.

Essas concessões, converteram a Sen-en-Mut em um rei sem coroa aos olhos de sua amada Hatsheput. No entanto, ela quis conceder-lhe os privilégios que lhe haviam correspondido de haver sido rei coroado das "Duas Terras". A mesma designação de Sen-en-Mut como "Mordomo" e administrador da princesa Neferu-Ra, fez pensar que a princesa pudesse ter sido sua filha carnal, fruto de uma apaixonada relação com a rainha. Essa idéia está validada por uma série de estátuas que representam a Sen-en-Mut com a pequena princesa em atitude amorosa e de proteção que nos faz pensar em um pai com sua pequena filha, do que um tutor friamente responsável por uma princesa.

Porém, na verdade, o fato excede os limites da evidência documental e passa para o mundo das possibilidades, por mais atrativa que essa história pareça atrativa aos nossos olhos. O fim do reinado de Hatshepsut, com a desgraça da morte prematura da princesa Neferu-Ra, traz consigo o final dos favores pr Sen-en-Mut, que desapareceu da cena pública, quase ao mesmo tempo que sua rainha.

E quanto a Tutmés III, reinando solitário, desposaria em um discreto segundo termo, a segunda filha de Hatshepsut, a princesa Meryt-Ra. Essa princesa lhe transmitiu o sangue da linhagem matrilinear que representava a garnde rainha Hatsheput. O filho que deu a Tutmés III, heradria o trono com o nome de Aa-Jeperu-Ra, Amen-Hotep II (1427-1400 a.C.)

Durante o reinado de Hatshepsut, renasce a expressão artística, se produzem novos tipos de escultura e começa a prática de escrever os textos funerários (Livro dos Mortos) sobre papiros. Realizou expedições comerciais à terra de Punt, um país situado na costa da África, ao qual se chegava pelo Mar Vermelho, provavelmente ao norte da Somália.

Uma das provas mais cabais da grandeza de Hatshepsut foi a sua capacidade de manter por tanto tempo sob o seu poder um homem do gabarito de Tutmés III. Tutmés tinha inteligência, visão e energia. Iria tornar-se o Alexandre Magno do Egito, o criador do império egípcio. Entretanto, por mais de 20 anos viveu à sombra da mulher de espírito forte que era ao mesmo tempo sua madrasta e tia. Por fim, conseguiu o apoio de que precisava para derrubá-la e vingativo, destruiu grande parte do templo destinado a perpetuar a memória da rainha. Era muito comum no Egito suprimir da história o nome de um predecessor desmoralizado. Mas nem sempre essa providência cumpria o seu objetivo. Como acontece quando se passa a borracha em alguma coisa escrita a lápis, o cinzel deixava quase sempre visíveis as inscrições originais.

No templo e Hapshepsut em EL-Bahri de Deir, perto de Luxor no Vale dos Reis, o nascimento e o coroação da Rainha são descritos em pinturas e outros trabalhos de arte. Uma outra realização, descrita também através das pinturas vívidas, é o transporte de dois obeliscos de granito, ao Templo de Karnak. Os obeliscos foram usados como monumentos religiosos em Egito antigo.

Esta poderosa e admirável mulher, Hatshepsut, desapareceu misteriosamente, possivelmente em 1458 a.C, quando Tutmés III tornou-se faraó. Acredita-se que Hatshepsut tenha morrido de morte natural com mais ou menos 55 anos.

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MULHER SÍMBOLO DE PODER


Hatshepsut é uma personagem extraordinariamente importante, pois representa o poder da mulher em uma sociedade totalmente dominada por homens. No fundo, é um tema bastante atual, muito embora esta história tenha acontecido há milhares de anos, com os prejuízos atávicos próprios desta sociedade.

A sociedade atual é carente de mulheres que se disponham a contribuir com o aspecto mais elevado de sua feminilidade: o amor altruísta, a compaixão, o respeito pela vida, com os quais elas estão mais familiarizadas e podem expressar com maior facilidade do que os homens. É desejável para as mulheres, portanto, envolver-se na vida social e política. Se elas escolherem assim, poderão fazer fazer isso enquanto continuam a desempenhar papéis femininos tradicionais em atividades de cunho social. A sociedade deve respeitar e apreciar uma contribuição tão valiosa.

O fato de uma mulher dedicar a maior parte do tempo a certos papéis não deve impedi-la de se considerar igual ao homem. Não é uma questão de superioridade ou inferioridade. Características psicológicas masculinas e femininas, muito embora dessemelhantes, são do mesmo valor. Isto é um fato.

As mulheres estão certas em protestar contra atitudes preconceituosas que há muito tempo vigoram na sociedade. O cuidado é que com o protesto, não pode-se perder a perspectiva. Pode-se ser destrutivo e não construtivo. Conflitos e exageros podem ser entendidos psicológica e historicamente. O ideal é que permanecessem dentro dos limites tão construtivos quanto justos.

Texto pesquisado e desenvolvido por

ROSANE VOLPATTO

Bibliografia

Reinas de Egipto - Teresa Bedman

Historia de Egipto - Manetón

Las mujeres en el Antigo Egipto - G. Robins

El templo de Hatshepsut em Deir El Bahari - Teresa Bedman

Da pedra à Internet

O desenvolvimento da comunicação começou devagar



















por Fred Linardi

A humanidade demorou para evoluir em suas formas de comunicação. Antes de inventar a escrita, passamos milhares de anos usando basicamente gestos e grunhidos. Até a fala custou a aparecer; quando ela começou a ser desenvolvida, as pinturas rupestres já existiam.

Em compensação, depois disso, tudo se acelerou. Na base da conversa, começamos a trocar conhecimentos, principalmente de caráter mitológico e religioso. A escrita não demorou a surgir, como uma forma de registro do sonoro. No século 8 a.C., os poemas gregos Ilíada e Odisséia foram escritos a partir de relatos orais.
Da linguagem escrita em diante, começamos a aplicar a tecnologia à comunicação. Nas últimas décadas, chegamos ao ponto em que um único emissor transmite sua mensagem para milhões de pessoas - é o caso do rádio e da televisão. Temos à disposição telefones fixos, celulares e internet. E o futuro promete.

Evolução por escrito
Depois do alfabeto, tudo ficou mais rápido

3800 a.C. - desenhos livres

Enquanto o homem não sabia falar, do jeito como fazemos hoje, valia fazer desenhos em cavernas a partir de pigmentos de argila, hematita e carvão vegetal. A motivação das pinturas não era clara, mas certamente elas transmitiam conhecimento.

3200 a.C. - Primeiras letras

Os sumérios criaram alfabetos formados por figuras que representam objetos do cotidiano. Com a sistematização desse tipo de desenhos, os fenícios também desenvolveram um modelo de escrita. Acabava a Pré-História, e a comunicação começava a evoluir bem mais rápido.

3000 a.C. - Telégrafo de fogo

Surgia o sinal de fumaça, uma maneira de informar à distância. Indígenas americanos foram os primeiros a usar os sinais, que seguiam um princípio depois adotado nos telégrafos: um cobertor abafava o fogo e soltava a fumaça em intervalos regulares.

2900 a.C. - Voe depressa!

Começava a ser usada uma das formas de se enviar dados mais resistentes ao tempo: o transporte de mensagens com pombos-correios. Os registros mais antigos datavam do Egito de Ramsés II, mas até 2002 as aves ainda eram usadas pela polícia indiana.

550 a.C. - Cartas a galope

O tataravô do correio atual nasceu com Ciro II, rei da Pérsia, que desenvolveu um sistema de postos de parada para os homens que levavam cartas a cavalo. Essa estrutura permitia que uma correspondência viajasse 2500 quilômetros com segurança.

1455 - Livros em série

Para a mídia surgir e facilitar o acesso à informação, foi necessário que Johannes Gutenberg melhorasse a impressão, que existia havia 14 séculos na China. Sua sacada foi criar uma forma com letras independentes.

1837 - Contatos imediatos

O americano Samuel Morse (1791-1872) criava o telégrafo. Ele queria um jeito de trocar mensagens que o governo americano não entendesse. Em 1835, ele tinha inventado o Código Morse, que seria fundamental para a navegação e a aviação.

1876 - Fala que eu escuto

O escocês Alexander Graham Bell (1847-1922) patenteava nos Estados Unidos seu aparelho de telefone. Há quem diga que o italiano Antonio Meucci (1808-1889) teria desenvolvido seu protótipo antes, mas foi Bell que o popularizou.

1893 - Ondas sonoras

Aparecia o rádio, atribuído ao italiano Guglielmo Marconi (1874-1937). No futuro, o croata Nikola Tesla (1856-1943) ganharia o crédito, porque a invenção de Marconi usava 19 patentes suas. Os primeiros aparelhos transmitiam Código Morse. A emissão de voz só começaria em 1918.

1929 - Imagens na sala

O cientista russo Vladimir Zworykin (1889-1982) apresentava o kinoscópio, o precursor da televisão. Vários desenvolvimentos posteriores do aparelho de Zworykin levariamà industrialização e disseminação da TV, acelerada a partir de 1945.

1960 - Balão espacial

Lançado pelos Estados Unidos, o primeiro satélite refletia sinais enviados a partir da Terra. Batizado de Echo 1, o aparelho consistia em um balão de náilon de 30 metros de diâmetro, visível a olho nu em vários pontos do globo.

1994 - Todo mundo online

O governo americano liberava a circulação da World Wide Web, uma versão civil do sistema de troca de informações entre as redes de computadores militares. Em 1995, a internet já tinha 16 milhões de usuários. Atualmente, são 1,5 bilhão.

Infância: anjos armados

Em 25 países, crianças lutam em guerras





















por Eduardo Campos Lima

Na batalha de Leuctra, no ano 371 a.C., crianças de Esparta pegaram em armas. Em 1415, em Agincourt, os franceses massacraram os escudeiros britânicos, que tinham menos de 15 anos de idade. Existem vários exemplos como esses de participação de jovens em conflitos. Mas nunca eles foram usados em larga escala e em tantos lugares como agora. Neste momento, 25 países reúnem de 200 mil a 300 mil soldados mirins. "A presença de crianças é o novo comportamento padrão em guerras", afirma o especialista americano Peter W. Singer, autor de Children at War ("Crianças em guerra", sem tradução no Brasil).

A idade média dos jovens militares é 12 anos. A maior parte deles atua em grupos de guerrilha, sem ligação com o Estado. Mas, em vários países, menores são alistados pelo governo. Entre 2003 e 2005, por exemplo, 15 britânicos de 17 anos atuaram no Iraque. "As crianças são fáceis de manipular e, em muitos casos, lutam tão bem quanto os adultos", diz Jo Becker, diretora de Defesa dos Direitos das Crianças da organização não-governamental Human Rights Watch.
Os menores são espiões, guardas e soldados armados da linha de frente. Já as meninas são usadas como escravas sexuais. De acordo com Jo Becker, boa parte das crianças é motivada pela pobreza. "Muitas veem o recrutamento como forma de conseguir comida."

Recrutas mirins
Os locais onde a prática é comum e quatro casos graves

México

Crianças lutam em grupos guerrilheiros no mundo todo, em especial na Colômbia e no Sri Lanka. Os mexicanos do Exército Zapatista de Libertação Nacional também sustentam um batalhão juvenil.

Sudão

Os soldados infantis lutam na região de Darfur, onde uma guerra, que já dura seis anos, deixou estimadas 300 mil mortes. Os menores de idade atuam como espiões e pegam em armas nas linhas de frente.

Uganda

O governo tem o hábito de capturar os jovens que atuam em grupos armados independentes e transformá-los em espiões e mensageiros do Exército local.

Mianmar

Pelo menos 14 países recrutam pessoas com menos de 18 anos em grupos militares. O caso mais sério é o de Mianmar, onde as crianças são forçadas a passar pelo treinamento do Exército.

Estratégia antiga
Jovens participam de batalhas há 2300 anos

Esparta, 300 a.C.

Após os 6 anos, os garotos participavam de pelotões juvenis. Lá, recebiam uma única peça de roupa e dormiam sobre juncos.

Inglaterra, Século 6

Meninos de 12 anos eram treinados para a guerra. Há relatos de que, aos 15, São Gustavo de Croyland (673-714) já estava engajado em ações militares.

Império Otomano, Século 14

Uma parcela dos garotos cristãos das províncias era recrutada. Os meninos se convertiam ao Islã e passavam a praticar exercícios bélicos.

Brasil, Século 18

Órfãos criados em instituições públicas eram recrutados pelas forças armadas desde o período colonial. Em casos de indisciplina, levavam chibatadas.

Estados Unidos, 1864

Na Virgínia, o general confederado John Breckenridge (1821-1875) recorreu a 247 cadetes da região, sendo que 25% tinham menos de 16 anos.

Alemanha, 1922

Garotos da Juventude Hitlerista eram treinados desde os 14 anos. Em 1943, foi criada uma unidade especial da polícia secreta, a "divisão leite de bebê".

"Colocar a mão no fogo"

Expressão é inspirada na Inquisição medieval




























por Lívia Lombardo

Quando colocamos a mão no fogo por alguém é porque confiamos na inocência dessa pessoa e, por isso, temos certeza de que não vamos nos prejudicar. Na Idade Média, no entanto, colocar a mão no fogo era dor na certa. Essa expressão surgiu de um método nada racional usado pela Igreja para avaliar acusados de heresia.

O julgamento consistia em envolver as mãos do réu com estopa e cera e fazer com que ele andasse por alguns metros na frente do juiz e de testemunhas segurando uma barra de ferro em brasa. Com o calor, a cera derretia rapidamente e as mãos ficavam atadas. Três dias depois, a estopa era retirada e as mãos do acusado eram verificadas. Qualquer queimadura era considerada sinal de que a pobre criatura não havia sido protegida por Deus, e por esse motivo seria condenada à morte.

HIERÓGLIFOS

Como escrever seu nome em HIERÓGLIFOS



















1- Clique na tecla INICIO.
2- Clique nas teclas das letras correspondentes ao seu nome.
3- Você precisa indicar se o nome é masculino ou feminino.(Clicando sobre a tecla MASCULINO ou FEMININO.)
4- Agora seu nome está pronto, basta clicar na tecla FIM.



o link do site > http://www.miniweb.com.br/cantinho/Infantil/38/hieroglifos.html

Vai lá e ve como seu nome fica, em particular, o meu ficou lindo!

ahahaha..

"Brincar de gato e rato"

A frase se refere às mulheres inglesas do século 19





















por Lívia Lombardo

Embora a origem da expressão se relacione à perseguição dos gatos aos ratos, não foram os bichos que tornaram famosa a frase. No começo do século 20, a vida política da Inglaterra estava restrita aos homens. E muitas mulheres começaram a lutar, algumas vezes de forma violenta, para garantir o direito ao voto.

Muitas delas acabavam presas. Na cadeia, faziam greve de fome. Para evitar que as ativistas morressem e dessem um mártir ao movimento, o Parlamento instituiu o "Ato de Soltura Temporária de Prisioneiros Doentes". Determinava que prisioneiras doentes ou enfraquecidas fossem libertadas e, assim que se recuperassem, voltassem para atrás das grades. Pela semelhança com o jeito de os felinos brincarem com a presa, exercitando sua superioridade, a medida logo se tornou conhecida como "Ato do Gato e Rato".

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

E viveram felizes para sempre...

Ou não. Os casamentos reais misturam tradições da nobreza e dores da vida real em rituais que, ainda hoje, lembram contos de fada






























por Jeanne Callegari

Moça comum conhece estrangeiro encantador. Apaixonam-se e ela descobre que ele é o príncipe de um país europeu. Os dois se casam e vivem felizes para sempre. Conto de fadas? Não. Essa é a história real de Mary Donaldson, a publicitária australiana que conquistou o coração do príncipe Frederik, da Dinamarca. O casal se encontrou pela primeira vez durante a Olimpíada de Sydney, em 2000, e, quatro anos depois, protagonizou um dos casamentos mais românticos da realeza, na catedral de Copenhague. Ela desfilou com um vestido de 6 metros de cauda e um véu feito de renda irlandesa de 100 anos. Ele quebrou o protocolo e chorou no altar, enquanto esperava a chegada da noiva. Ao fim da celebração, o casal seguiu de carruagem até o palácio de Fredensborg, residência de primavera da família do noivo, para o beijo público junto ao balcão. A jovem nascida na Tasmânia, filha de um professor de Matemática, ganhou, assim, o título de sua alteza real e princesa herdeira do trono da Dinamarca.

Como a maioria dos casamentos reais, marcados por pompa e tradição, esse também foi acompanhado por milhares de pessoas. "A mágica do evento fascina o público: um vestido de tirar o fôlego, o desfile em um Rolls-Royce conversível ou mesmo em uma carruagem dourada", diz Julia Melchior, autora do livro Royal Weddings ("Casamentos reais"), escrito em parceria com Friederike Haedecke. "E, apesar da organização cuidadosa, em cada casamento real ocorrem coisas engraçadas em que ninguém pensou antes." É o anel que não entra no dedo, um lenço que aparece quando não devia, a tiara que some na última hora. Deslizes que aproximam os soberanos de seus súditos, que torcem pelos casais e choram junto com eles.

Os gestos rituais impressionam também por conseguirem, em momentos inspirados, sintetizar significados e valores antigos da monarquia. No casamento de Máxima Zorreguieta com o príncipe Willem-Alexander, da Holanda, todos prenderam a respiração, quando a aliança resistiu a encaixar no dedo da noiva. A joia finalmente coube tão perfeitamente no anular da princesa quanto o sapato de cristal no pé de Cinderela. E a plateia comemorou, como se assistisse ao triunfo definitivo do amor sobre a política.

Máxima era argentina e plebeia, mas não foram esses os principais obstáculos ao casamento. O problema era de outra natureza. A união dependia, por lei, da aprovação do Parlamento, mas enfrentou resistências porque o pai da noiva, Jorge Zorreguieta, participara da ditadura militar argentina como secretário da Agricultura e da Pecuária, de 1976 a 1983. Depois de difíceis debates, uma solução negociada permitiu a cerimônia, mas proibiu a presença dos pais de Máxima. A ausência da família deu um toque amargo ao casamento. Emocionada, a noiva chorou ao som do tango Adiós Nonino ("Tchau, papai"), de Astor Piazzolla. Depois da cerimônia, realizada em 2002, o casal saiu em uma carruagem dourada pelas ruas e subiu à sacada do palácio real para o beijo do final feliz.

Durante a crise, Willem-Alexander teve o apoio integral de sua mãe, a rainha Beatrix. Afinal, ela havia escolhido, anos antes, um diplomata alemão para marido e também sofrera pressões. No dia do casamento com Claus von Amsberg, em março de 1966, seis bombas explodiram em protesto, em diferentes pontos de Amsterdã. Ainda havia muito rancor contra os alemães nos países ocupados durante a Segunda Guerra Mundial. E era difícil aceitar um ex-integrante da Juventude Hitlerista na Casa Real holandesa. O Parlamento só autorizou o enlace após historiadores terem garantido que Claus não havia participado nem de crimes de guerra nem de atos antissemitas.

Se as feridas estavam abertas 20 anos depois do conflito, o que não dizer do estado de espírito dos britânicos em julho de 1947. Menos de dois anos após o fim da guerra na Europa, o rei George VI anunciou o noivado de sua filha, Elizabeth, com Philip Mountbatten, grego, mas filho de uma alemã. O casamento aconteceu num dia frio e chuvoso, tipicamente londrino. No difícil pós-guerra, a cerimônia foi austera. Como prato principal, serviu-se perdiz, um dos únicos tipos de carne excluídos do racionamento. Para o vestido de Elizabeth, o governo emitiu 200 cupons destinados à aquisição racionada de roupas ou tecidos. Muitas mulheres também enviaram à noiva seus cupons, mas o uso de tíquetes de terceiros estava proibido e Elizabeth os devolveu. Ou seja, o incômodo dos súditos com a origem do noivo da princesa durou pouco. Centenas de milhares de pessoas enfrentaram o clima ruim para ver o casal no balcão da estação Waterloo.

No fim do século 20, nem a guerra nem a diferença de classes eram mais uma barreira. Mas Mette-Marit, a noiva do príncipe Haakon, da Noruega, além de plebeia, era mãe solteira. Mesmo na liberal Noruega, houve reclamações. Os súditos desconfiavam da loura que o príncipe conhecera em um festival de rock e circulavam rumores sobre seu passado. A três dias do casamento, ela admitiu à imprensa que tivera uma vida extravagante, mas argumentou que suas experiências a haviam tornado forte e madura. Uma onda de simpatia correu o país e, no casamento, em 2001, a população estava encantada com ela. Mette-Marit e Haakon entraram juntos na catedral de Oslo e convidaram 50 plebeus para o baile, incluindo amigos ex-viciados em drogas. Mas o príncipe deu à noiva a mesma aliança que o avô, Olavo V, e que seu pai, Harald V, haviam dado às suas escolhidas.

Não é fácil atualizar convenções. Friederike Haedecke e Julia Melchior descrevem 14 casamentos reais e mostram o quanto da história da monarquia está viva. São fotos e detalhes das cerimônias, que, muitas vezes, tentaram conciliar modernidade e tradição. Em 1993, o casamento do príncipe Naruhito, do Japão, combinou ritos seculares a um desfile de Rolls-Royce conversível, a pedido da noiva, Masako. Ela deixou uma carreira promissora no Ministério das Relações Exteriores, e o futuro marido prometeu ajudá-la na difícil transição para a vida solitária do palácio. Momentos da celebração só puderam ser vistos pelos sacerdotes. Os 812 convidados esperaram no vestíbulo, enquanto o casal fazia seus votos no templo da deusa do sol, Amaterasu, no palácio imperial, em Tóquio. A noiva vestiu 12 camadas de quimonos, pesando 10 quilos.

Dancing Queen

O que a cerimônia japonesa teve de reservada, o casamento do rei da Suécia, Carl Gustaf, em 1976, teve de popular. A começar por um dos presentes: show oferecido pelo Abba, banda pop do país que compôs para a futura rainha Sílvia, brasileira filha de alemães, um dos maiores sucessos de todos os tempos - Dancing Queen. Mesmo assim, como todo casamento real, foi organizadíssimo e custou 1,5 milhão de euros, em moeda atual.

O casamento precede uma questão vital para a realeza: a obrigação de gerar sucessores. Acabou assim a união do xá da Pérsia (Irã), Mohammed Reza Pahlevi, com Soraya Bakhtiari (1932-2001), chamada de princesa triste. Por mais que afirmasse amá-la, ele se divorciou dela em 1958. Decisão inútil, porque os filhos do enlace seguinte, com Farah Diba, não chegaram ao poder: o xá foi deposto em 1979. Mas o casamento, quando Soraya tinha 18 anos, em 1951, foi um dos mais grandiosos da História. No baile, a imperatriz, que convalescia de doença desconhecida, quase desfaleceu sob os 20 quilos de um Dior com diamantes e plumas de marabu (um tipo de cegonha). O xá mandou tirar 10 metros da cauda do vestido, e, à base de sais, Soraya aguentou até as 2 da manhã, quando o banquete terminou.

Toda de branco
A rainha Vitória consagrou a cor do vestido

"Murmúrios se espalharam entre os 300 convidados, na capela do palácio de Saint James, em Londres, quando a rainha Vitória da Inglaterra apareceu, usando um vestido de corpete justo e saia ampla. Mas o que fazia a visão realmente espetacular era o fato de que tudo, tanto vestido quanto véu, era branco." Assim o livro Royal Weddings ("Casamentos reais") descreve o impacto causado pela rainha no casamento com o príncipe Albert, seu primo, em fevereiro de 1840. Ela não foi a primeira a ir ao altar de branco. Mas ajudou a firmar o costume. No século 19, todas as cores eram possíveis num vestido de casamento. Os plebeus usavam em geral tons escuros, que pudessem ser aproveitados em outros eventos. As noivas nobres, mesmo nas famílias reais, preferiam em geral tons de dourado e prateado para mostrar riqueza.

Capela de Ossos II





















As fotos aqui, por incrível que pareçam, são de uma igreja; localizada na pequena cidade de Kutna, na República Checa. Sua história começou em 1278, quando o Abade da igreja , voltando de Jerusalem , trouxe com ele terra do Gólgota (o local onde Jesus foi crucificado) e espalhou no cemitério ao lado da igreja , o que levou muitos , nobres principalmente, a quererem ser enterrados ali. A coisa tornou-se tão popular que em 1318 mais de 30 mil pessoas foram enterradas no local (graças a um a peste ocorrida na região).

No local ocorrem algumas batalhas em 1421 que acabaram destruindo parte do cemitério e obrigando a retirada de alguns ossos que foram depositados na capela. O sucesso do cemitério era tão grande que a constante retirada dos restos mortais para que novas pessoas fossem enterradas, criou algumas imensas pilhas de ossos no interior da igreja, fazendo com que em 1784, por ordem do Imperador, o monastério (e o cemitério junto) fosse fechado.Em 1870 um escultor local chamado Frantisek Rink começou a organizar os ossos compondo com eles as esculturas que passaram a decorar a igreja. estima-se que lá existam ossos de cerca de 40 ou 50 mil pessoas.

Kutna fica há 70 quilometros de Praga e pode-se chegar de carro, numa agradabilíssima viagem.



Site Oficial: http://www.kostnice.cz/
Fonte das explicações: http://www.kostnice.cz/

Capela dos Ossos



















A Capela dos Ossos é um dos mais conhecidos monumentos de Évora, em Portugal. Está situada na Igreja de São Francisco. Foi construída no século XVII por iniciativa de três monges que, dentro do espírito da altura (contra-reforma religiosa, de acordo com as normativas do Concílio de Trento), pretendeu transmitir a mensagem da transitoriedade da vida, tal como se depreende do célebre aviso à entrada: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". A capela, construída no local do primitivo dormitório fradesco é formada por 3 naves de 18,70m de comprimento e 11m de largura, entrando a luz por três pequenas frestas do lado esquerdo.

As suas paredes e os oito pilares estão "decorados" com ossos e caveiras ligados por cimento pardo. As abóbadas são de tijolo rebocado a branco, pintadas com motivos alegóricos à morte. É um monumento de uma arquitectura penitencial de arcarias ornamentadas com filas de caveiras, cornijas e naves brancas. Foi calculado à volta de 5000, provenientes dos cemitérios, situados em igrejas e conventos da cidade. A capela era dedicada ao Senhor dos Passos, imagem conhecida na cidade como Senhor Jesus da Casa dos Ossos, que impressiona pela expressividade com que representa o sofrimento de Cristo, na sua caminhada com a cruz até ao calvário.


Fonte:Wikipédia, a enciclopédia livre.

"Viu passarinho verde"

DITO E FEITO



















Cartas de namorados deram origem à frase
por Lívia Lombardo



A expressão "viu passarinho verde" é empregada para aqueles que, sem motivo aparente, demonstram muita alegria. O verde é a cor da esperança e da paz. Mas o que o passarinho tem a ver com isso? De acordo com o folclorista Luís da Câmara Cascudo, no livro Locuções Tradicionais no Brasil, a tal ave era o periquito, muito usado para levar no bico mensagens trocadas por casais. Assim, avistar esse animal seria "identificar o alado pajem confidencial dos segredos". Há ainda uma lenda do século 19, segundo a qual as moças avisavam seus namorados do envio de cartas de amor colocando um periquito perto da grade da janela.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Como fazíamos sem espelho?

No século 14, o objeto custava mais caro que obras de pintores renascentistas











por Vinicius Rodrigues


Provavelmente você dá uma olhada no espelho antes de sair de casa. Dentro de um elevador de paredes espelhadas, é certo que aproveita para ajeitar a roupa ou o cabelo. As superfícies que refletem a luz são tão fáceis de ser encontradas no ambiente urbano que é difícil imaginar o quanto elas foram disputadas no passado.

Tudo indica que a primeira vez que o ser humano viu seu reflexo foi na água. Isso deve ter mudado em cerca de 3000 a.C., quando povos da atual região do Irã passaram a usar areia para polir metais e pedras. Esses espelhos refletiam apenas contornos e formas. As imagens não eram nítidas e o metal oxidava com facilidade.

Pouco mudou até o fim do século 13. Nessa época, o homem já dominava técnicas de fabricação do vidro, mas as peças eram claras demais, e por isso não tinham nitidez. Até que, em Veneza, alguém teve a ideia de unir o vidro a chapas de metal. "Os espelhos dessa época têm uma pequena camada metálica na parte posterior do vidro. Assim, a imagem ficava nítida, e o metal não oxidava por ser protegido pelo vidro", diz Claudio Furukawa, pesquisador do Instituto de Física da USP. Surgia assim o espelho como o conhecemos até hoje.

Mas este era um produto raro e caro. Os chamados espelhos venezianos eram mais valiosos que navios de guerra ou pinturas de gênios como o renascentista italiano Rafael (1483-1520). A democratização do artigo começou em 1660, quando o rei da França Luís XIV (1638-1715) ordenou que um de seus ministros subornasse artesãos venezianos para obter o segredo deles. O resultado pode ser conferido na sala dos espelhos do palácio de Versalhes.

Com o advento da Revolução Industrial, o processo de fabricação ficou bem mais barato e o preço caiu. "Mesmo assim", afirma o antropólogo da PUC-RJ José Carlos Rodrigues, "o espelho só se popularizou e entrou nas casas de todos a partir do século 20."

"Cair nos braços de Morfeu"

Frase é inspirada no filho do deus grego do sono

















por Érica Georgino

De acordo com a mitologia da Grécia antiga, Morfeu era um dos mil filhos de Hipno, o deus do sono. Assim como o pai, era dotado de grandes asas, que o transportavam em poucos instantes, e silenciosamente, aos pontos mais remotos do planeta.

O nome Morfeu quer dizer "a forma" e representa o dom desse deus: viajar ao redor da Terra para assumir feições humanas e, dessa maneira, se apresentar aos adormecidos durante os seus sonhos. É por isso que se costuma dizer, há vários séculos e nas mais diversas línguas: quem cai nos braços de Morfeu faz um sono tranquilo e reconfortante, como se realmente estivesse na companhia dessa divindade.

"A preço de banana"

'Olha a banana, olha o bananeiro..'

























Portugueses criaram a expressão no Brasil
por Érica Georgino




Usamos a frase "a preço de banana" quando encontramos um artigo com preço baixo, mas tão baixo, que nem dá vontade de pechinchar. Essa expressão remonta ao descobrimento do Brasil: ao chegar aqui, os portugueses encontraram bananeiras produzindo naturalmente, sem que fosse necessário plantá-las.

Durante a colonização, era comum encontrar a fruta em propriedades agrícolas e quintais, pelo simples motivo de que as bananeiras são plantas de fácil cultivo em climas quentes e úmidos. A abundância fez com que a fruta não atingisse altos valores comerciais, e assim a banana virou sinônimo de produto barato.

"Fazer das tripas coração"

Expressão está ligada à anatomia humana
por Lívia Lombardo














Não se sabe ao certo quando surgiu a frase "fazer das tripas coração", usada quando alguém consegue resistir a uma adversidade mais do que se supunha possível. Mas é fácil entender o que a expressão significa.

É claro que as tripas, ou intestinos, são muito importantes para qualquer organismo. Mas nada se compara ao coração, órgão responsável pela circulação do sangue, que transporta oxigênio e nutrientes para as células.

Assim, "fazer das tripas coração" é realizar um esforço sobre-humano, comparável ao de pegar as tripas, com suas funções bem mais limitadas, e conseguir que elas assumam a importância que tem o coração.

Carnelevarium

Cinco séculos de Carnaval carioca
por Thiago Cid






























Criado para aliviar as tensões antes do período cristão da quaresma, o Carnaval surgiu na Idade Média, embora festas de excessos existissem desde a Antiguidade. O nome vem de carnelevarium –?“adeus à carne” em latim. Da Europa para o mundo, em nenhum lugar?a festa foi tão difundida e modificada como no Brasil, onde o povo teve participação ativa. No Rio de Janeiro, isso foi ainda mais intenso.

Século 16 - LUTA NA LAMA

O primeiro Carnaval foi o entrudo, em que se faziam brincadeiras com lama, cinzas, farinha e fezes. Condenado em 1841, durou até o século 20, coexistindo com bailes e blocos. ?

1835 - CAEM AS MÁSCARAS

São realizados os primeiros bailes de máscaras no Rio de Janeiro. Inspirados nas festas parisienses, eles surgiram como desejo da elite por uma diversão sofisticada, em vez das brincadeiras grosseiras do entrudo.

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Por Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola

O carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Posteriormente, os gregos e romanos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornando-a intolerável aos olhos da Igreja. Com o passar do tempo, o carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, o que ocorreu de fato em 590 d.C. Até então, o carnaval era uma festa condenada pela Igreja por suas realizações em canto e dança que aos olhos cristãos eram atos pecaminosos.
A partir da adoção do carnaval por parte da Igreja, a festa passou a ser comemorada através de cultos oficiais, o que bania os “atos pecaminosos”. Tal modificação foi fortemente espantosa aos olhos do povo, já que fugia das reais origens da festa, como o festejo pela alegria e pelas conquistas.

Em 1545, durante o Concílio de Trento, o carnaval voltou a ser uma festa popular. Em aproximadamente 1723, o carnaval chegou ao Brasil sob influência europeia. Ocorria através de desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas da forma semelhante à de hoje.

A festa foi grandemente adotada pela população brasileira, o que tornou o carnaval uma das maiores comemorações do país. As famosas marchinhas carnavalescas foram acrescentadas, assim a festa cresceu em quantidade de participantes e em qualidade.



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Berinjela

Nota:
Chineses usavam o vegetal para escovar os dentes























por Flávia Pinho

A berinjela é um dos legumes mais presentes na história da humanidade. Tudo indica que surgiu na Ásia há 6 mil anos e logo se tornou popular em todo o Oriente. Como diversos alimentos que consumimos hoje, ela também já foi usada para fins terapêuticos: na China, era misturada a sal-marinho e passada nos dentes para deixar as gengivas sadias. Quando chegou ao Ocidente, porém, por volta do século 8, ganhou uma péssima fama, que a acompanhou até o século 19. Muitas pessoas diziam que o legume causava demência e epilepsia. De acordo com a jornalista e crítica Danusia Barbara, a crença era tão forte que seu primeiro nome científico foi Solanum insanum.

...O Carnaval é mais antigo que o samba?











por Leandro Narloch

Eles parecem ter sido feitos um para o outro, mas têm quase 2 mil anos de diferença de idade. O Carnaval nasceu na Roma antiga, passou firme pela Idade Média e, no Brasil, no século 18, já era uma festa popular importante, mas a primeira marchinha só apareceu em 1899, e o primeiro samba é só de 1916. Durante o tempo em que a festa e a música viveram separados, o Carnaval brasileiro dançou no ritmo de batuques, valsas, polcas e até sem música alguma. Os primeiros carnavais por aqui, chamados de entrudos, eram assim, um pouco mais que um empurra-empurra que, durante quatro dias, espalhava pelas ruas xingamentos, correrias, perseguições, água, farinha, ovos podres, fuligem, lama e piche. A arma mais comum de quem “entrudava” era o limão-de-cheiro, uma bola de cera do tamanho de uma laranja cheia de perfume ou mesmo água suja. A violência dos foliões, a maioria escravos ou negros livres, era tanta que fazia muitos brancos sair da cidade ou se refugiar nos bailes de salão.

Marchinhas com letra e melodia surgiram com a compositora Chiquinha Gonzaga, autora de “Ó Abre Alas”, em 1899. Já o samba “Pelo Telefone”, de Donga, estourou logo que foi criado, em 1916, e foi “estandarte de ouro” do ano seguinte.



...Pular Carnaval dava cadeia até a década de 30?
Ir a um baile de máscaras no século 19 era arriscado. Usá-las na rua, por exemplo, significava uma noite na cadeia. O mesmo ocorria com quem exagerasse nos gritos, travessuras e guerras de objetos nas ruas. Além disso, a polícia não via com bons olhos o desperdício de água. Resultado: cana. O Carnaval só ganhou crédito quando Getúlio Vargas, no auge do populismo, adotou o samba (e as marchinhas) como música oficial do Brasil.

Já os lança-perfumes fizeram o caminho inverso. Vendidos livremente, os “lanças” eram a marca dos carnavais até 1961, quando foram proibidos.


Confete e serpentina
• Dom Pedro I também participava das festas. Ele gostava de atirar coisas nos outros, mas não de ser atingido. Em 1825, a atriz Estela Sezefredo foi presa por acertar-lhe um limão-de-cheiro na testa.

• Já no século 19, os foliões usavam máscaras em referência às autoridades da época, como dom Pedro II, Antônio Conselheiro e até príncipes africanos.

• Quem andasse arrumadinho pelo centro de Rio durante o Carnaval poderia ter a cartola “afundada” contra a cabeça. Em 1887, para pôr um fim na ”batalha da cartola”, o próprio chefe de polícia resolveu passar o Carnaval encartolado. Levou uma senhora “afundada”.

• O sapateiro José Nogueira de Azevedo Paredes criou, em 1850, a versão mais rudimentar do trio elétrico, um desfile de bumbos que seguia os foliões. Em homenagem a ele, esse cortejo foi apelidado de zé-pereira.

• A primeira escola de samba, a Deixa Falar, surgiu em 1928. Quatro anos depois, o primeiro concurso de escolas de samba do Rio de Janeiro foi criado pelo jornalista Mário Filho, o irmão do escritor Nelson Rodrigues que deu nome ao estádio do Maracanã.

• Na década de 50, o público carioca costumava alugar caixotes a 5 cruzeiros para ver as escolas na rua. O Sambódromo só seria construído em 1980.

• No Carnaval de 1961, as escolas de samba bailaram paradas. Quem desfilou foi o “júri móvel”, uma criação que não deu certo e foi abandonada no ano seguinte.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Império Bizantino



























Imagem: Christ Pantocrator

O colapso do Império Romano sentiu um de seus maiores golpes quando, em 395, o imperador Teodósio dividiu os territórios em Império Romano do Ocidente e do Oriente. Em 330, o imperador Constantino criou a cidade de Constantinopla no local onde anteriormente localizava-se a colônia grega de Bizâncio. Não sentido os reflexos da desintegração do Império Romano, a cidade de Constantinopla aproveitou de sua posição estratégica para transformar-se em um importante centro comercial.

Cercada por águas e uma imponente fortificação, a cidade de Constantinopla tornou-se uma salvaguarda aos conflitos que marcaram o início da Idade Média. Com o passar do tempo, o Império Bizantino alcançou seu esplendor graças à sua prosperidade econômica e seu governo centralizado. No governo de Justiniano (527 – 565), o império implementou um projeto de expansão territorial que visava recuperar o antigo esplendor vivido pelo Antigo Império Romano.

Ao longo de seu reinado, Justiniano conseguiu conter o avanço militar dos persas e búlgaros sob a região balcânica. Logo depois, empreendeu a expulsão dos vândalos do Norte da África. Mais tarde, deu fim à dominação gótica na Península Itálica e tomou a Península Ibérica dos visigodos. Apesar de chegar a reagrupar os antigos domínios da Roma Antiga, Justiniano não conseguiu resistir às novas invasões dos povos germânicos na Europa e a dominação árabe no Norte da África.

No plano político, Justiniano buscou a formulação de leis que se inspiravam nos antigos códigos jurídicos romanos. Formando um conjunto de juristas influenciados pelo Direito Romano, Justiniano compilou um grupo de leis que formaram o chamado Corpo do Direito Civil. Apesar de empreender a ampliação dos domínios do império, Justiniano foi vítima de uma grande conturbação. Na Revolta de Nika (532), vários populares organizaram um movimento em protesto contra as pesadas cargas tributárias e o grande gasto empreendido nas campanhas militares.

Mesmo contando com essa aproximação do mundo romano, o Império Bizantino sofreu influência dos valores da cultura grega e asiática. Um dos traços mais nítidos dessa multiplicidade da cultura bizantina nota-se nas particularidades de sua prática religiosa cristã. Divergindo de princípios do catolicismo romano, os cristãos bizantinos não reconheciam a natureza física de Cristo, admitindo somente sua existência espiritual. Além disso, repudiavam a adoração de imagens chegando até mesmo a liderarem um movimento iconoclasta.

Essas divergências doutrinárias chegaram ao seu auge quando, em 1054, o Cisma do Oriente estabeleceu a divisão da Igreja em Católica Apostólica Romana e Ortodoxa. Dessa forma, a doutrina cristã oriental começou a sofrer uma orientação afastada de diversos princípios do catolicismo tradicional contando com lideranças diferentes das de Roma.

Na Baixa Idade Média, o Império Bizantino deu seus primeiros sinais de enfraquecimento. O movimento cruzadista e a ascensão comercial das cidades italianas foram responsáveis pela desestruturação do Império. No século XIV, a expansão turco-otomana na região dos Bálcãs e da Ásia Menor reduziu o império à cidade de Constantinopla. Finalmente, em 1453, os turcos dominaram a cidade e deram o nome de Istambul, uma das principais cidades da Turquia.




Fonte: Brasil escola

sábado, 13 de fevereiro de 2010

YES, nós temos CAJU














Pense na região que hoje corresponde à Itália, ou em Portugal e em seus pratos típicos. O que você escolheria: uma boa massa com molho de tomates? Uma polenta? Ou uma bacalhoada com batatas? Penso agora nos habitantes dessas mesmas regiões há 500 anos. O que eles poderiam ter para jantar?
Com certeza não seria nada que levasse tomate, milho ou batata, pois essas plantas são originárias das Américas e foram levadas daqui pelos europeus.
vejamos como estudos de História da Ciência podem ajudar a conhecer a origem das plantas.


A VIAGEM DAS PLANTAS

As plantas viajaram muito nos últimos 500 aos depois da chegada dos europeus ao que se chamou de América. Por um lado, a curiosidade impelia os viajantes a enviarem para o "velho" mundo o "exótico" aqui encontrado. Por outro, os colonos, movidos pela necessidade de sobreviver, procuraram, ale´m de conher o que a
'nova' terra tinha a oferecer, plantar aqui mudas e sementes do que estavam acostumados a utilizar na Europa. Com isso, o 'mapa das plantas' se modificou ao longo dos séculos, transformando também costumes alimentares e estabelecendo outros.
Muitas das plantas trazidas ao Brasil adapatam-se muito bem, causando surpresas aos novos habitantes. É o caso de Gabriel Soares de Sousa, um habitante da Bahia que em seu tratado Descritivo do Brasil, em 1587 nos fala de árvores frutíferas que tinham num mesmo pé flores, frutos verdes e maduros.
Essa impressionate faclidade de adapção também levou estudiosos das plantas no Brasil a equívocos. Assim, em 1812, Bernardino Antonio Gomes diz existir uma espécie brasileira de jaca, planta que é originária da Àsia.
Alguns outros exemplos de frutas de fácil adaptação ao solo brasileiro são: as mangas, as carambolas, as frutas cítricas em geral, o café e... a banana.
Aliás, o caso da banana ainda não está resolvido, pois alguns estudiosos consideram todas as espécies como vindas do Oriente, enquanto outros acham que ao menos um tipo - a banana-pão, geralmente comida cozida ou assada e que recebe o nome de 'pacova' em língua indígena- foi encontrada pelos portugueses no 'Novo mundo'.
Justamente o último exemplo nos leva a uma questão importante:como saber de onde uma planta é originária?
Tem-se curiosidade do homemde ciência que sempre quer montar um mapa do mundo onde vive, mas também uma questão prática:sabendo de onde provêm certos vegetais- ou seja, as características do meio original será mais provável ter sucesso nas tentativas de adaptação ou naturalização de outros. Assim, estabeleceram-se maneiras de determinar o local de origem das principais plantas cultivadas.

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A PROPOSTA DE ALPHONSE DE CANDOLLE (1806-1893)

O estudioso suíço Alphonse de Candolle escreveu duas obras inportantes sobre as plantase seu deslocamento sobre o globo: Geografia Botânica,(1855) e Origem das plantas cultivadas (1886). Para descobrir " entre inumeráveis variedades, a que se pode considerar a mais antiga e ver de que região do globo ela saiu", ele propunha a aplicação de diferentes meios e procedimentos. Quanto maior o número de dados obtidos e a possibilidade de entrecruzá-los, mais precisos poderiam sero os resultados.
A Botãnica propricia um dos meios mais diretos para conhecimento a origem geográfica de uma espécie, posi poderia informar onde a planta crescia espontaneamente, em estado selvagem (ou seja, sem os cuidados do homem) e desde quando isso se dava.
outro meio de se conhecer a antiguidade de um vegetal era fornecido pela Arqueologia associada à Paleontologia forneceria dados sobre grãos e fragmentos de plantas obtidos em diferentes sítios, a Paleontologia trataria de desenhos dos diferentes vegetais.
A História daria conta do terceiro método ao permitir datar o cultivo de plantas em cada lugar e sua propagação através de migrações dos povos antigos, das viagens ou das expedições militares. O estudo dos relatos pode fornecer a data mais antiga em que uma planta é citada e daí se pode concluir acerca de sua origem. Esse tipo de material tem sido bastnate usado até hoje como auxiliar na determinação das origens das plantas.
A quarta área do conhecimento, mencionada o texto de De Candolle, era linguística. Ou seja, conhecer a maneira de se referir a uma planta poderia informar sobr eo local de onde ela provinha. Assim, um nome composto indicaria que o vegetal não é originário da região. Tomate, por exemplo, é denominado 'pomodòro' (maçã de ouro) em italiano e a batata é chamada pelos franceses de 'pomme de terra' (maça da terra).
Nos dois casos a denominação dos vegetais levados das Américas foi feita relativamente a algo que conheciam bem: a maçã.
Hoje, outros métodos - como são os estudos fotoquímicos e de determinação de DNA - associam-se a estes descritos por DE Candolle na busca das origens das plantas.
O estudo de textos como os de De Candolle - realizado pela História da Ciência - permite conhecer como se pensavam questões relativas à origens das plantas em diferentes períodos.
E pode, ainda, auxiliar a elaborar outros métodos de determinação das origens das plantas.
De toda forma, quando você quiser se referir a algo genuinamente brasileiro, não use a estrofe da canção de Aberto Ribeiro e João de Barro e imortalizada por Carmen Miranda: " Yes, nós temos a banana", pois nem todos concordariam com isso. Talvez melhor fosse dizer: " Yes, nós temos caju. Pois, aplicados os diferentes métodos propostos por De Candolle, encontrou-se como sua origem o Nordeste do Brasil. Essa planta mantém em outras línguas nomes que lembram de perto a denominação de origem tupi: aka'yu, ao ser chamda de cashew, kajunuss, acajou ou caju ( em inglês, alemão, francês e espanhol, respectivamente).

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Referências:

AFONSO- GOLDFARB, A.M. O que é História da Ciência. São Paulo: Brasiliense,2004.
FERRÃO, J.E.M A aventura das plantas e od descobrimentos portugueses. Lisboa:Iv. Científica Tropical, 1994.
FERRAZ, M.H.M. As ciências em Portugal e no Brasil. (1772- 1822). São Paulo: Educ/FAPESP, 1997.
PRESTES, M.E.B A insvestigação da natureza no Brasil -Colônia. São Paulo: Annablume/FAPESP, 2000.
Diversos artigos dpo Prof. A González Bueno, sobre plantas americanas podem ser consultados em : http:/www.pucsp.br/pos/cesima/seminarios2002.html

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MÁRCIA H.M. FERRAZ cursa a Pós - Graduação em História da Ciência/ Cesima- Centro Simão Mathias - PUC-SP